quinta-feira, 28 de maio de 2015

♥ SAUDADE ✿TERRA ✿


SAUDADE - TERRA

Morte triste, fria, vazia
Sente-se o cheiro a mofo
Das casas caídas
Perdidas, sozinhas
Escuras, sem luz, sem vida
 ╭✿
Das terras frias, geladas
Tristes, dos mantos negros de lá
Sente-se amor e morte
Vencesse o luto, noite escura
Abraços longos de dor
Cravos espetado no peito
Sentimentos singelos
Inocentes, marcados
Sentidos, lágrimas 
Perdidas, amargas e doces.


                                                                                                                        

Casa de Gebelim

sexta-feira, 22 de maio de 2015

🌹ABANDONADOS A SUA SORTE🌺


 ABANDONADOS A SUA SORTE

Castelo de asas com grades, janelas 
Partidas que deixam entrar o frio
Velha, nova, escura, perdida, vazia
Abelhas que ferram, oferecem o mel
Colmeias cheias na serra, no monte
As picadas de víboras gritos de dor
De angústia e de muita mágoa

Homens feios, sem fé, mendigos voluntários
Sombras de si mesmos, que andam a solta 
Como diabos pregadores, donos da verdade
Da morte , da escuridão, seres virtuosos, sem escrúpulos
Qual verdade ? qual virtude?.!

Gostam desta nova guerra aberta
Destes novos guerreiros, alheios a tudo
A todos, crentes do além , fora do mundo
Dos que desprezam o corpo, as alegrias e paixões

Pequenos e pálidos delinquentes
Que não querem saber ler ou escrever
Sobem as árvores das montanhas , das serras
Vivem em cavernas fechadas, palheiros húmidas
Cheias de mofo, fedem de morte
Virtude duvidosa e livre
Donos da guerra, donos de nada

Canta o velho viajante
Que sente o enigma, silencioso
Dos montes dos ramos das oliveiras,
Das tempestades, da neve branca gelada
Das passagens, trilhos ou caminhos
De pregadores sem fé, sanguessugas
Que vestem as vestes de cordeiros
Encantadores de lobos, diabos escondidos.!!
 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

LETRAS EM PEDAÇOS

 LETRAS EM PEDAÇOS

Encontro os pedaços de letras
Escondidas guardadas no sótão....
Uma palavra
Uma foto
Uma verdade
Um sentimento guardado
De amor que foi e já não é..
Guardei.....
Rabisquei...
Esqueci....
Sofri....
Guardada....
Calada.......
O tempo apagou o que foi já não é..
Lembrança que ficou...
Escrevi...e não apagou
No sótão guardei pedaços
De letras escritas ao vento.!
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca.

 

domingo, 10 de maio de 2015

🌺SÓ DEUS SABE🌻

SÓ DEUS SABE

A luz do sol cega-me os olhos
O silêncio torna-me numa voz rouca
Só Deus sabe da porta entreaberta
Do relâmpago de ansiedade no silêncio
Viagem selvagem do retorno amargo
Enigma do mundo de uma privacidade
Bajulada escondida num paraíso de aparência.
Prisioneiros da ignorância oculta imperfeita
Doentes desencantados na alma, no corpo
Cada vez mais perto do abismo da mediocridade
Subjugados por voos de uma estranha nostalgia
Das palavras deixadas num espelho sem ausência
Confinadas as fantasias fora da realidade em pedaços
De uma luta que interrompe um vazio, de uma dor do passado
A luz cega-me os olhos, o silêncio torna-me, só Deus sabe.
 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

FIGUEIRA DA VIDA

FIGUEIRA DA VIDA

Eu nada sou, para lá desta dor
Recolho os pedaços, fio das lembranças
Gritos na alma dos meus contos
Que são quadras de amor, de dor
Recomeço na figueira da vida
Já não tenho tempo para ilusões
Sei que a figueira que plantei
Olha-me entre as ramagens das suas folhas
Observa-me nesta minha quietude
Quietude onde agradeço todas as decepções
Em cada dificuldade e nos tombos dados
Que tive ao longo da minha vida
Sei que a figueira que plantei
Alberga agora um ninho de pássaros
Que as folhas veem-me entre os livros
Desfolham-se nas asas em lágrimas de pedra
Resguardo sem destino de sol e chuva
Envolto de nevoeiro nas palavras
Orvalho nos lábios das folhas da figueira
Que plantei com o recomeço sem ilusões.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 22 de abril de 2015

SILÊNCIO

SILÊNCIO

Eu conheci o silêncio
O silêncio da cidade
O silêncio da nossa vida
O silêncio da serra, do monte
O silêncio do inferno
O silêncio da escuridão
O silêncio das profundezas
O silêncio do mar e da sua brisa
O silêncio das tempestades
O silêncio dos raios de sol
O silêncio dos teus olhos
O silêncio do nosso quarto
O silêncio da tua rouca voz
O silêncio do nosso tempo
O silêncio das folhas do vento
Eu conheci o nosso amado silêncio.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 17 de abril de 2015

"VERMELHO"

"VERMELHO"

Vermelho é o meu desespero, coberto de nada
O vermelho é meu desencantado, vestida de noite
Fecho a janela, abraço-te no meu leito.
Amo-te com toda a paixão do meu coração
Beijo-te no vermelho dos teus lábios
No vermelho corre forte nas minhas mãos

Os teus abraços são mais fortes que os meus
Doce era o vermelho que amei no teu corpo
Suave quando o meu corpo começou a entardecer
Desmaiei com os teus olhos, nos meus
Quando os teus devolveram-me um vermelho de fogo
De vermelho me visto nesta via sacra entre o ser e o nada
Entre o viver e o não viver, o vermelho é e será
A marca de amor que ficara para sempre, em ti, em nos.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca