sexta-feira, 28 de novembro de 2014

"CAFÉ" Queria sedar a minha dor ....


"CAFÉ"

Queria sedar a minha dor
E a subnutrição da minha alma.
Manhã intensa esta.
Que senti a dilacerar-me o peito
Onde não fui capaz de sentir
Estes meus sentimentos
Perdi-me no tempo da ausência
Do vazio
Do fundo negro no horizonte
Nas turvas linhas
Rouca voz
Trêmulos os gestos
Quando entrei no teu corpo
Espreitando as invisíveis ruínas
Pelo som da tua voz
Confortas-me como podes
Desfazendo-me os nós
Da minha solidão e do vazio
Com um brilho cintilante
Despertaste-me para a vida.
Com um café quente com canela.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

"CAMÉLIAS" Queria colorir as mágoas .....


"CAMÉLIAS"

Queria colorir as mágoas
Não me perguntes quem sou
Acordei e bebi o meu silêncio
Atirei fora as minhas respostas
Perdi as memórias nos espelhos
As manhãs são de luta e neblina
Tropeço na cegueira das emoções
Nevoeiro de acácias íntimas e feridas
Adormeço no muro das indecisões
Abro as mãos às últimas palavras
Descontentamento da alma que me dói
Benditas camélias que estão a chegar
Que tocaram o meu mais profundo coração!
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 18 de novembro de 2014

PARA RENASCER DE NOVO


PARA RENASCER DE NOVO

Senti-te e abandonei-te enquanto te tinha
Meu amor; por medo de ser queimada...
Pelo ardor da paixão que sentíamos.
Amo-te com o sopro do meu coração
Queria adormecer em ti, dentro de mim
Como se tu e eu fôssemos nós.
Amo-te nos momentos de ausência.
Mesmo quanto a vida nos foge.
Amo-te à procura de respirar.
O cheiro da tua alma perdida em mim.
Amo-te quando pediste-me para me perder contigo.
Amo-te de olhos fechados
Quando gritei o teu nome ao vento.
Entrei meu amor
Sossegada dentro de ti; quietinha, calada.
Senti que me amavas, sorris-te, porque também o senti.
Deixei-te aconchegar-te no meu ventre, no meu peito.
Percorreste com os teus dedos as estradas imaginárias.
Encontrei-me, mais uma vez, sossegado dentro de ti.
Gritei bem alto o teu nome e morri de amor.
Para renascer de novo, renasci.
Senti-te e abandonei-te enquanto te tinha
Por medo de ser queimada pelo ardor da nossa paixão!
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CONTO "A VELHINHA TECIA,TECIA"


CONTO "A VELHINHA TECIA,TECIA"


As suas mãos teciam numa noite
De inverno longa e fria
As serras cobriam-se de neve
O rio detinha-se congelado
Ela tecia o fio de lã
Como fios transparentes de seda
As folhas mudavam de cor das árvores quase despidas
Dentro de casa a lareira acesa
Ela continuava a tecer os fios finos de lã.
O seu amor era incondicional e divino
O que sentia pelos seus amados filhos.
Lá longe nas grandes cidades
Dizia ela os meus amores.
Docemente contemplava com fervor
O caminho entre as fragas.
Cheias de neve
Onde o peito tanto doía de saudades.
Aquelas saudades d`alma pura
De vários sentimentos que ardem no fogo.
Dentro de água que o gelo detinha e o rio não corria.
Vida estreita na vivência
Que ninguém duvide dos seus longos anos.
As suas mãos teciam a manta que lhe cobrira
O corpo como uma mortalha.
De bravura esta sua humilde vida sofrida
Onde rezava e colhia tantas bênçãos.
Do Senhor seu Deus
Tantos favores que Deus
Lhe dava pela sua perseverança
Pela fé que tinha mesmo nos dias de dor, de mágoa
Ela era sempre muito abençoada.
Ela dizia que Deus é o meu caminho
Sem ele não resta nada, só pó.
Tinha um coração de amor e sabedoria
Dizia ela que tinha aprendido com os seus pais.
Gente humilde, sábia, honesta
E muito respeitada pelo povo onde mora.
Está uma noite de inverno fria e longa
Ela continuava a tecer com os fios fininhos de lã
Da sua mortalha ao pé da lareira
Estava contente
Sentia-se feliz porque sabe que Deus
Ira chamá-la em breve.
A qualquer hora , dizia tenho que acabar
Estou nesta empreitada à quase 80 anos.
Estou muito feliz por que Deus
vai estar à minha espera
Bendita senhora já tão velhinha
Benditos os lírios do campo
E todas as flores silvestres.
Só Deus cuida delas
Como cuidou de mim estes anos todos.
Benditos todos os meus filhos que pari
Com muitas lágrimas de dor.
Com sabor a mel que era amor
Tecia tecia os fios de lã, finos fios como seda.
Rezava, rezava, tecia e dizia a Deus
Senhor está quase pronta a minha mortalha.
Que me cobrirá ao encontro marcado
Contigo quando chegar a hora.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

"CONTO DE OUTONO"

"CONTO DE OUTONO"

A chuva caia com imensa intensidade
A noite estava escura cheia de neblina
Como se não houvesse lua no céu
Ela estava perdida à procura do seu amado
Mas o seu amado não estava em lugar nenhum
O amor e a dor consumiam o seu coração
E uma parte dela morria
O seu amado havia levado essa parte com ele.
Ela não conseguia explicar a dor no seu peito
Chorava de saudade sangrando por dentro.
Pergunta ela porque o conheci?
Era uma simples noite de outono, numa simples festa
Num simples momento, um simples beijo
Coisas simples que foram o bastante para abrir um buraco
De esperança no seu coração para faze-la sofrer de amor
Ela fecha os olhos e pensa no seu amado
No dia em que se conheceram
Do primeiro abraço, do seu único beijo
Olhares profundos dentro dos olhos um do outro.
Uma lágrima desce vagarosamente pelo seu rosto
A dor que de repente a consome, simplesmente desaparece
Olhou para o passado para sentir o que viveu
Não no sentido de quem me dera voltar para trás
Mas apenas para perceber se valeu a pena amar tanto o seu amado.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca