sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

"SÍLABAS"

"SÍLABAS"

Espelho meu
Este espelho que é a nossa alma.
Que tantas vezes nos fascina.
Somos como peças perdidas.
Vendavais; tempestades.
Somos o que deixamos de ser.
O nosso próprio reflexo.
Árvore esquecida, sofrida.
Na sofreguidão do ter.
Esquecemos, não amamos.
Sonhamos sem viver.
Vivemos sem nunca sonharmos!
Por mais que tentem...
Nunca acabarão com o amor e o ódio.
Nem todos os cremes do mundo acabarão
Com as rugas do nosso rosto.
Nem com a dor da distância
Nem com a saudade em cada sílaba que escrevo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

domingo, 11 de janeiro de 2015

SOLIDÃO

SOLIDÃO

Eco das fragas
Grito de dor
..........
Giesta queimada
Solidão na serra
........
Uivo do lobo
Fome no caminho
........
Grutas no monte
Sombras escuras
..........
Semeamos a terra
Fértil seara
........
Estevas perfumadas
Dormir ao relento
...........
Corriça vazia
Pastor só
.......
Escola vazia
Tempo perdido
..........
Aldeia perdida
Morte certa.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

"DESÇO NA ESPERANÇA"

"DESÇO NA ESPERANÇA"

Desço, a rua escura, mal iluminada, empedrada
Desço-a ao sabor do vento de pés descalços
Lentamente as noites douradas descem as serras
O rio passa pelas árvores, olmos que balançam
Brincam com as folhas caídas, coloridas no outono
Alma incompreendida envolta numa esfera de sonhos
Chega à vila envolta de solidão, na alta madrugada
Inegável capacidade de sempre em permanecer sozinha
Compreensão incompreendida, que procura por um navio
Que traga um tesouro, e que juntos naveguem por mares
Onde a noite na serra, seja iluminada com o brilho das estrelas.
Alegre como as águas do rio, perfumada como as flores do campo.
Desço a rua escura, empedrada, mal iluminada, ao sabor do vento
Entre as águas do rio de pés descalços, desço na corrente da esperança.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca