sexta-feira, 22 de maio de 2015

ABANDONADOS A SUA SORTE



 ABANDONADOS A SUA SORTE

Castelo de asas com grades, janelas 
Partidas que deixam entrar o frio
Velha, nova, escura, perdida, vazia,
Abelhas que ferram, oferecem o mel
Colmeias cheias na serra, no monte
As picadas de víboras gritos de dor
De angústia e de muita mágoa.

Homens feios, sem fé, mendigos voluntários
Sombras de si mesmos, que andam a solta 
Como diabos pregadores, donos da verdade
Da morte , da escuridão, seres virtuosos,sem escrúpulos
Qual verdade ? qual virtude?.!

Gostam desta nova guerra aberta
Destes novos guerreiros, alheios a tudo
A todos, crentes do além , fora do mundo
Dos que desprezam o corpo, as alegrias e paixões.

Pequenos e pálidos delinquentes
Que não querem saber ler ou escrever
Sobem as árvores das montanhas , das serras
Vivem em cavernas fechadas, palheiros húmidas
Cheias de mofo, fedem de morte
Virtude duvidosa e livre
Donos da guerra, donos de nada.

Canta o velho viajante
Que sente o enigma, silencioso
Dos montes dos ramos das oliveiras,
Das tempestades, da neve branca gelada
Das passagens, trilhos ou caminhos
De pregadores sem fé, sanguessugas
Que vestem as vestes de cordeiros
Encantadores de lobos, diabos escondidos.!!
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca