quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"TEMPO QUE PASSA"

"TEMPO QUE PASSA"

Sou o tempo que passa
Que te procura e não te acha
Sou o vento encantado que canta baixinho
Onde rodopia o caminho de trilhos ou da estrada
Sou vento que embrenha-me os cabelos
Que acaricia-me o rosto, brisa suave e fresca
Não consigo entender como o desejo é intenso
E eu nesta cama fria e vazia, procuro um som
Não sei onde posso encontrar-te, sigo a tua voz
No murmúrio do vento, que canta uma melodia bela e singela
Como uma história de amor perdida no tempo
Envolvo-te num silêncio, num insólito momento
Que deixa uma ferida aberta como um punhal
Afinal sou o tempo que passa, que te procura e não te acha.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 7 de fevereiro de 2015

"SILÊNCIO MANSO"

"SILÊNCIO MANSO"

Silêncio agudo da espada de ferro
Cresce, cresce, sobe e suspende-nos
Palavras que rebentam a nossa solidão
As fragas partem-se às inconformadas arestas
Recordações, esperanças do grito que se desvanece
Queremos gritar as mentiras desbocadas no silêncio
O mundo está em chamas e só vejo fogo na imensa ruína.
Aflito pranto rasga o peito com o sombrio véu, dor acerba.
Cruel, pungente suspiro que no peito encerra do celeste roubo


Cala-te, voz maldita que me grita nos dias de tempestade
Mundo soberbo, extraviei-me no tempo do pensamento
Já não ouvem nem falam, estão dispersos dos vivos ou mortos
Visões diferentes, perverso, inocente, no cálice persigo um tempo
Pés descalços na inquietude das madrugadas, que ficarei só
Escreverei a minha melancolia em versos que deixarei na tua ausência
Chegar de mansinho sem quebrar a tua solidão, que também é e será a minha.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca