quinta-feira, 17 de abril de 2014

"SAUDADE DE TI"

  "SAUDADE DE TI"

Trouxe a brisa do mar comigo
Senti a maresia nos meus cabelos
Absorvo o teu aroma
Afago-me no teu colo
Beijo-te, leio-te, devoro-te
Sinto a tua essência.
A lua clareia as noites de solidão.
Escuta-me
Escuta-me e bebe as minhas lágrimas.
Que são de alegria.
O teu perfume ficou tatuado em mim.
Abraça-me com um suspiro do vento
Acaricia, faz-me voar nas tuas asas
Acolhe-me nos teus braços.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 14 de abril de 2014

"LUA"

 "LUA"
Lua negra,lua negra.
Lua que chamas por mim.
Do meu coração
Dos meus sonhos
Brilha e ilumina
O meu céu já negro.
Onde gritas por mim.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 8 de abril de 2014

"NUNCA É TARDE"

"NUNCA É TARDE"

Nunca é tarde para viver
A Velhice não é um posto
Ela nunca pede desculpas
Ou talvez peça
É tão velha como a árvore
Nua, nua como num dia de inverno
Como um vulcão sufocado de lava
Um pássaro sonolento, adormecido
Grito frenético do tempo
Provisório de dias, noites
Eterno...brando do mundo
Sol eterno, eterno e brando
De uma voz cansada
Ouvi, ouvir muito longe
Uma desculpa, desculpa da face
Resignada e triste
Do tempo, tempo de mitos
Um fantasma de tudo, tudo
Em muitos talvez mil anos
Com sombras intermináveis sombras
Perdoai-me por ainda viver, viver
Entre os destroços de mim mesmo
Mesmo sem glória
São na verdade os meus destroços
Destroços..de uma velhice anunciada.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 5 de abril de 2014

"VINHAS DA IRA"

"VINHAS DA IRA"

Caminhava só pelas vinhas da ira
Solidão de um caminho escuro
Encontrei as uvas doces de morangueiro
Entrei numa velha adega
Adega esta onde estava um velho barril
Perdido e talvez esquecido, vazio
Queria tanto tentar fazer
Fazer o vinho dos mortos
Enterrá-lo na terra húmida da velha adega
Rezei, rezei enquanto trabalhava
Não queria mais andar
Era difícil ver na noite escura sem luar
Transformei-me no vinho que fiz
Deixei-me guiar pelo som das águas que corriam
No leito do rio passando debaixo da ponte
Que descia pelos montes e prados
Sobre as fragas, choupos
Matando a sede das aldeias
Inundando o chão
Fecundado as novas searas
As novas sementes
Tinha medo e quis enfrentar
Enfrentar o medo
Lavei a minha alma no leito do rio
Até todo medo evaporar-se
Só então, voltei para a vinha
Vinha da ira de todas as mágoas
De todas as sombra
Fiquei nua, sem pele, sem medo
Nadei à tona, no lagar onde fiz
Fiz o vinho dos mortos, vinho de sabor
Amargo, forte e de doce paladar.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 2 de abril de 2014

"PEDAÇOS DE LETRAS"

"PEDAÇOS DE LETRAS"

Encontro
Os pedaços de letras
Escondidas
Guardadas no sótão
Uma palavra
Uma foto, uma verdade
Um sentimento guardado
De amor que foi e já não é
Guardei, rabisquei
Esqueci, sofri
Guardado calado
O tempo apagou o que foi já não é
Lembrança que ficou.
Escrevi e não apagou
No sótão guardei pedaços
De letras escritas ao vento

Isabel Morais Ribeiro Fonseca