sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

💕PROCURO-TE E BUSCO-TE 🌺

"PROCURO-TE"

Procuro-te e busco-te
Nas fragas do caminho
Pelos vidros da janela
Em cada nascer do sol
E não consigo encontrar-te

Procuro-te e busco-te
Nos seixos da rua
Nas brechas da porta
Nos grãos de areia.
E não consigo encontrar-te

Procuro-te e busco-te
No brilho das folhas à chuva
No nevoeiro estampado na serra
Nos espelhos do orvalho
E não consigo encontrar-te

Procuro-te e busco-te
Na tempestade dos ventos
Nas nuvens altas e azuis
No escuro da noite
E não te encontro, mas tu revelas-te!



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

AMAR É TER O BRILHO

AMAR É TER O BRILHO
Amar é ter o brilho dos teus olhos
É querer estar sempre contigo
Sofrer à distância
Ter a necessidade de gritar o teu nome
É escrevê-lo nas árvores
Sentir este fogo por dentro
É inflamar o coração deixando-o em brasas
Sentir-te sempre em todas as partes
Desejar os teus lábios salgados
É delirar com as carícias e sonhar contigo
Acordar a pensar no teu sorriso
Mesmo num dia de frio e nublado
Nas noites mais geladas
E no meio da escuridão tu és um raio de sol
Que veio iluminar a minha vida e o meu coração
És o calor que veio aquecer a minha alma
A paixão e o desejo que veio preencher o meu corpo
Tu és a força que ajudou-me a levantar
Da imensa escuridão, que era a minha vida
És tu quem eu quero e sem ti não vale a pena viver
Como as gotas de orvalho que iluminam o meu coração
Refrescam a minha alma, trouxeram alegria e o calor
Daquilo que chamo de amor, são as pétalas das flores
Só o brilho intenso do teu olhar aquece o meu coração.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

🌺 BEBER UM CAFÉ 🌹

"CAFÉ"

Queria sedar a minha dor
E a subnutrição da minha alma
Manhã intensa esta
Que senti a dilacerar-me o peito
Onde não fui capaz de sentir
Estes meus sentimentos
Perdi-me no tempo da ausência
Do vazio
Do fundo negro no horizonte
Nas turvas linhas
Rouca voz
Trêmulos os gestos
Quando entrei no teu corpo
Espreitando as invisíveis ruínas
Pelo som da tua voz
Confortas-me como podes
Desfazendo-me os nós
Da minha solidão e do vazio
Com um brilho cintilante
Despertaste-me para a vida.
Com um café quente com canela.
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

👒CAMÉLIAS 👑


"CAMÉLIAS"

Queria colorir as mágoas
Não me perguntes quem sou
Acordei e bebi o meu silêncio
Atirei fora as minhas respostas
Perdi as memórias nos espelhos
As manhãs são de luta e neblina
Tropeço na cegueira das emoções
Nevoeiro de acácias íntimas e feridas
Adormeço no muro das indecisões
Abro as mãos às últimas palavras
Descontentamento da alma que me dói
Benditas camélias que estão a chegar
Que tocaram o meu mais profundo coração!
 


terça-feira, 18 de novembro de 2014

ღPARA RENASCER DE NOVO🌹


PARA RENASCER DE NOVO

Senti-te e abandonei-te enquanto te tinha
Meu amor; por medo de ser queimada.
Pelo ardor da paixão que sentíamos.
Amo-te com o sopro do meu coração
Queria adormecer em ti, dentro de mim
Como se tu e eu fôssemos nós.
Amo-te nos momentos de ausência.
Mesmo quanto a vida nos foge.
Amo-te à procura de respirar.
O cheiro da tua alma perdida em mim.
Amo-te quando pediste-me para me perder contigo.
Amo-te de olhos fechados
Quando gritei o teu nome ao vento.
Entrei meu amor
Sossegada dentro de ti; quietinha, calada.
Senti que me amavas, sorris-te, porque também o senti.
Deixei-te aconchegar-te no meu ventre, no meu peito.
Percorreste com os teus dedos as estradas imaginárias.
Encontrei-me, mais uma vez, sossegado dentro de ti.
Gritei bem alto o teu nome e morri de amor.
Para renascer de novo, renasci.
Senti-te e abandonei-te enquanto te tinha
Por medo de ser queimada pelo ardor da nossa paixão!
 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

🌺CONTO "A VELHINHA TECIA,TECIA"🌺


CONTO "A VELHINHA TECIA,TECIA"

As suas mãos teciam numa noite
De inverno longa e fria
As serras cobriam-se de neve
O rio detinha-se congelado
Ela tecia o fio de lã
Como fios transparentes de seda
As folhas mudavam de cor das árvores quase despidas
Dentro de casa a lareira acesa
Ela continuava a tecer os fios finos de lã
O seu amor era incondicional e divino
O que sentia pelos seus amados filhos
Lá longe nas grandes cidades
Dizia ela os meus amores
Docemente contemplava com fervor
O caminho entre as fragas cheias de neve
Onde o peito tanto doía de saudades
Aquelas saudades d`alma pura
De vários sentimentos que ardem no fogo
Dentro de água que o gelo detinha e o rio não corria
Vida estreita na vivência
Que ninguém duvide dos seus longos anos
As suas mãos teciam a manta que lhe cobrira
O corpo como uma mortalha
De bravura esta sua humilde vida sofrida
Onde rezava e colhia tantas bênçãos
Do Senhor seu Deus
Tantos favores que Deus lhe dava pela sua perseverança
Pela fé que tinha mesmo nos dias de dor, de mágoa
Ela era sempre muito abençoada
Ela dizia que Deus é o meu caminho
Sem ele não resta nada, só pó
Tinha um coração de amor e sabedoria
Dizia ela que tinha aprendido com os seus pais
Gente humilde, sábia, honesta
E muito respeitada pelo povo onde mora
Está uma noite de inverno fria e longa
Ela continuava a tecer com os fios fininhos de lã
Da sua mortalha ao pé da lareira
Estava contente
Sentia-se feliz porque sabe que Deus
Ira chamá-la em breve
A qualquer hora , dizia tenho que acabar
Estou nesta empreitada à quase 80 anos
Estou muito feliz por que Deus
vai estar à minha espera
Bendita senhora já tão velhinha
Benditos os lírios do campo
E todas as flores silvestres
Só Deus cuida delas
Como cuidou de mim estes anos todos.
Benditos todos os meus filhos que pari
Com muitas lágrimas de dor
Com sabor a mel que era amor
Tecia tecia os fios de lã, finos fios como seda
Rezava, rezava, tecia e dizia a Deus
Senhor está quase pronta a minha mortalha
Que me cobrirá ao encontro marcado
Contigo quando chegar a hora.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

"CONTO DE OUTONO"

"CONTO DE OUTONO"

A chuva caia com imensa intensidade
A noite estava escura cheia de neblina
Como se não houvesse lua no céu
Ela estava perdida à procura do seu amado
Mas o seu amado não estava em lugar nenhum
O amor e a dor consumiam o seu coração
E uma parte dela morria
O seu amado havia levado essa parte com ele.
Ela não conseguia explicar a dor no seu peito
Chorava de saudade sangrando por dentro.
Pergunta ela porque o conheci?
Era uma simples noite de outono, numa simples festa
Num simples momento, um simples beijo
Coisas simples que foram o bastante para abrir um buraco
De esperança no seu coração para faze-la sofrer de amor
Ela fecha os olhos e pensa no seu amado
No dia em que se conheceram
Do primeiro abraço, do seu único beijo
Olhares profundos dentro dos olhos um do outro.
Uma lágrima desce vagarosamente pelo seu rosto
A dor que de repente a consome, simplesmente desaparece
Olhou para o passado para sentir o que viveu
Não no sentido de quem me dera voltar para trás
Mas apenas para perceber se valeu a pena amar tanto o seu amado.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca