quinta-feira, 5 de junho de 2014

"NOITES DOLOROSAS"

"NOITES DOLOROSAS"

Há noites muito difíceis, onde rezamos
Rezamos e pedimos o sono.
Mas ele simplesmente não aparece
Tornando a noite dolorosa.
Quero dormir ou não me apetece dormir
Só quero sair para a rua.
Andar, andar sem destino
Embrenhar-me no nevoeiro desta noite.
E chorar, chorar sentindo os ramos das árvores
A vergarem o meu corpo.
Triste, entristecido no orvalho da madrugada, que está a chegar.
No jardim sinto os espinhos
A penetrarem a minha alma já em chaga.
A lua, minha companheira das noites compridas e longas desapareceu.
Abandonou-me nesta noite já tão dolorosa,
É só escuridão profunda dentro do meu ser.
O som do rio, é agora medonho, a corrente é forte
Vejo o meu rosto refletido nas suas águas.
Onde as minhas lágrimas são gotas negras
Nesta noite sem sono, sombra do que fui.
Do que sou lentamente afogada nesta noite de espinhos
Onde rasgam a minha alma sem sono!

Isabel Morais Ribeiro Fonseca