terça-feira, 8 de abril de 2014

"NUNCA É TARDE"

"NUNCA É TARDE"

Nunca é tarde para viver
A Velhice não é um posto
Ela nunca pede desculpas
Ou talvez peça
É tão velha como a árvore
Nua, nua como num dia de inverno
Como um vulcão sufocado de lava
Um pássaro sonolento, adormecido
Grito frenético do tempo
Provisório de dias, noites
Eterno...brando do mundo
Sol eterno, eterno e brando
De uma voz cansada
Ouvi, ouvir muito longe
Uma desculpa, desculpa da face
Resignada e triste
Do tempo, tempo de mitos
Um fantasma de tudo, tudo
Em muitos talvez mil anos
Com sombras intermináveis sombras
Perdoai-me por ainda viver, viver
Entre os destroços de mim mesmo
Mesmo sem glória
São na verdade os meus destroços
Destroços..de uma velhice anunciada.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca