quinta-feira, 26 de setembro de 2013

"AZIBO QUENTE"

"AZIBO QUENTE"

Canta o galo em cima do telhado
Velho de podre a cair aos pedaços
Dormem os campos serenos
Agitam à passagem de uma suave brisa
Que acompanham os meus passos
Dormem sossegados já sem desassossego
Dos dias de férias passados na aldeia..
Das idas à barragem do azibo
Água fresca,limpa, de pedras e fragas.

Caminhos de lama, trilhos de fragas
De pedras, pelas ruas de casas caídas em ruínas
Onde as migalhas de pão caíam no chão
De soalho, tábuas corridas, onde outrora não havia fome.
Havia trabalho, trabalho duro, de sol a sol,
Onde o pão não faltava e alegria também não,
Ouvia-se o riso e o cantar das gentes ,
Das crianças a ir para escola alegres e felizes,
Com um pedaço de pão na algibeira.
Agora é só dor da partida, partida permanente
Onde vai-se e não voltam.
Casas em agonias e tormentos onde,
Os velhos gemem as suas mágoas, os seus desenganos
Embriagam-se nas dores que os atormentam
Prostram-se cansados pelos anos
Choram no banco da igreja, no banco de um jardim.
Perdem o rumo da vida, da alegria,
Como se navegassem sem mastro, sem leme....
Das aldeias perdidas esquecidas e dizem estes velhos sábios
Das nossas aldeias, Hei-de morrer algum dia.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca